摘要:Nas últimas décadas, observa-se uma tendência crescente a mudar a forma de conceber as fronteiras entre Estados nacionais, partindo desde sua clássica concepção como um limite (uma linha divisória) à fronteira como uma região de interação transnacional (uma área de integração).Essa tendência combina-se com mudanças nas formas em que as ciências sociais abordam os fenômenos sociais, incluindo a valorização da cooperação e a interdependência nas relações internacionais e a superação da ênfase no Estado nação na sociologia.Nesse contexto, a fronteira entre Uruguai e Brasil é um dos exemplos na região onde a lógica de cooperação primou historicamente, o que se manifesta na construção de obras de infraestrutura, na criação de instituições binacionais específicas para a temática e na integração cultural em geral entre as populações dos dois lados da fronteira.A partir da fundação do Mercosul, na década de 1990, e particularmente a partir da Nova Agenda de Cooperação e Desenvolvimento Fronteiriço de 2002, fortaleceu-se a dimensão política da integração fronteiriça.Paralelamente, o fortalecimento de unidades subnacionais (particularmente no Brasil, e mais incipientemente no Uruguai), emerge como outro fator novidoso de incidência nessa cooperação.O artigo propõe que a combinação das recentes dinâmicas de integração, globalização e descentralização, assim como a aparição de novos atores ligados a elas, pertencentes aos governos subnacionais e à sociedade civil, são elementos centrais para compreender osurgimento desta fronteira como uma área de articulação de políticas de crescenteimportância nos processos de integração regional.