期刊名称:Revista Virtual de Estudos da Linguagem - ReVEL
电子版ISSN:1678-8931
出版年度:2016
卷号:14
期号:26
出版社:Gabriel de Ávila Othero
摘要:Muita gente que ouve a expressão “políticas linguísticas” pela primeira vez pensa em algo solene, formal, oficial, em leis e portarias, em autoridades oficiais, e pode ficar se perguntando o que seriam leis sobre línguas. De fato, há leis sobre línguas, como veremos a seguir, mas as políticas linguísticas também podem ser menos formais – e nem passar por leis propriamente ditas. Em quase todos os casos, figuram no cotidiano, pois envolvem, como propõe Spolsky (2016a, nesta edição da ReVEL), não só a gestão da linguagem, mas também as práticas de linguagem, e as crenças e valores que circulam a respeito delas. Tome, por exemplo, a situação do cidadão das classes confortáveis brasileiras, que quer que a escola ensine a norma culta da língua portuguesa. Ele folga em saber que o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) vai exigir isso dos candidatos às vagas para o ensino superior, mas nem sempre observa ou exige o mesmo padrão culto, por exemplo, na ata de condomínio, que ele aprova como está, desapegada da ortografia e das regras de concordância verbais e nominais preconizadas pela gramática normativa. Ele acha ótimo que a escola dos filhos faça baterias de exercícios para fixar as novas normas ortográficas no final do Ensino Médio, mas pouco se incomoda com os problemas de redação dos enunciados das tarefas dirigidas às crianças no início do Ensino Fundamental ou nos textos de comunicação da escola dirigidos àcomunidade escolar. Essas são políticas linguísticas, assim como também é política linguística o silêncio do ENEM a respeito do que é ou deixa de ser a norma culta