O aparecimento da Web 2.0, a criação de comunidades virtuais de doentes (CVdD) e a interação entre os doentes no ciberespaço estão a revolucionar os sistemas de saúde. O presente estudo exploratório e descritivo, analisa este fenómeno em Portugal através um estudo qualitativo, pioneiro em Portugal, e apresenta as principais razões do aparecimento destas comunidades. Conclui-se que as principais motivações para os doentes procurarem estas comunidades são: o tempo reduzido das consultas com o médico; a falta e/ou incompreensão da informação transmitida no encontro interpessoal com o médico; a solidão; o estigma e a exclusão social. É uma percepção unânime entre os doentes crónicos que participaram no estudo que a participação nestas comunidades virtuais é complementar ao apoio e contacto presencial; que o apoio virtual entre pares melhora a relação médico-doente, tornando o doente mais participativo na tomada de decisão sobre a sua saúde e que são geradoras de uma melhor literacia em saúde. De acordo com os participantes no estudo as principais limitações para o desenvolvimento de comundiades virtuais incluem as seguintes noções: o digital divide e discrimina; os perigos de automedicação; a possivel divulgação de informação incorrecta e a inexistência de critérios de qualidade para sítios Web sobre saúde.