Esse artigo objetiva refletir sobre estratégias de enfrentamento da pobreza a partir da exigência de frequência escolar mínima presente no desenho do programa de transferência de renda condicionada do governo federal Bolsa Família. Num primeiro momento, são apresentadas algumas considerações, fundamentadas em trabalhos científicos, que problematizam a efetividade das condicionalidades em educação presentes no Programa Bolsa Família (PBF). Na sequência, apresento resultados de pesquisa desenvolvida entre 2008 e 2010 que entrevistou vinte e duas pessoas participantes do PBF e cujo objetivo foi compreender a visão dos próprios beneficiários em relação a esta política de transferência de renda. Os resultados dessa investigação levaram-me a considerar que as condicionalidades do PBF podem ser vistas como instauradoras de uma relação de troca e reciprocidade entre os beneficiários dessa política e o Estado. Pensado nesses termos, proponho neste artigo que as discussões sobre as condicionalidades em educação do PBF devem ser pensadas numa perspectiva ampliada, não se restringindo somente aos seus efeitos práticos em termos de frequência escolar ou ganhos de escolaridade, mas também aos seus efeitos simbólicos, notadamente, o fortalecimento dos sentimentos de pertencimento e reconhecimento sociais por parte das entrevistadas gerados pelo cumprimento das condicionalidades em educação.
This article aims to ponder on poverty fighting strategies, from the minimum school attendance standpoint, present on the design of the "Programa Bolsa Família (PBF)", a cash transfer program of the Federal Government. Initially, some considerations are made based in scientific studies that problematize the effectiveness of education requirements inherent to the "Programa Bolsa Família". Following, I present the results of our research, developed between 2008 and 2010, which interviewed twenty-two PBF participants aiming to understand their singular viewpoint regarding this cash transfer program. The result of such investigation lead us to conclude that PBF requirements create an exchange and reciprocity relation between its beneficiaries and the Government. In these terms, I propose in this article that the discussions on the PBF education requirements should be considered within a broadened perspective -thus not restricted to its practical results in terms of school attendance or schooling increase - taking into account also its symbolic effects, notably the strengthening of feelings of belonging and social recognition by the interviewees - generated by the fulfillment of education requirements.